LGPD · Psicologia

LGPD para psicólogos: sigilo, prontuário e atendimento online

O que o paciente diz em sessão é um dos dados mais sensíveis que existem. O sigilo do psicólogo já protege isso há décadas — a LGPD acrescenta obrigações concretas de segurança, base legal e direitos. Veja o que muda para quem atende, presencial ou online.

Setembro de 2026 · 8 min de leitura

Resumo rápido

  • O prontuário psicológico é dado sensível (saúde mental, Art. 11) — régua máxima.
  • Sigilo profissional (CFP) + LGPD se somam: cumprir o sigilo é necessário, mas não basta.
  • Para atender, a base é a tutela da saúde (Art. 11, II) — não consentimento.
  • Gravar sessão, usar caso, marketing = opcional → consentimento específico e registrado.
  • Online exige atenção extra: plataforma com criptografia, dados no Brasil, nada de sessão por canal aberto.

Poucos profissionais lidam com dados tão íntimos quanto o psicólogo. Diagnóstico, histórico, o que se fala em sessão — tudo isso descreve a saúde mental do paciente e cai na categoria mais protegida da LGPD. A boa notícia: o psicólogo já tem o hábito do sigilo. Falta traduzir esse hábito em obrigações concretas da lei.

Prontuário psicológico é dado sensível

O Art. 11 coloca dado referente à saúde na categoria de dado sensível — e a saúde mental está incluída. O registro documental do atendimento (o prontuário psicológico exigido pelo CFP) concentra esses dados. Consequência prática: acesso restrito, guarda segura pelo prazo definido pelo Conselho e uma régua de segurança proporcional ao risco (Art. 46).

Sigilo profissional e LGPD: somam, não se substituem

O sigilo do psicólogo vem do Código de Ética e das resoluções do CFP. A LGPD não revoga isso — ela acrescenta uma camada de obrigações demonstráveis:

Sigilo profissional (CFP)LGPD acrescenta
Dever de guardar segredo do que ouveMedidas técnicas de segurança (Art. 46)
Regras do prontuário psicológicoMapa de dados (Art. 37) e base legal por finalidade
Exceções de quebra de sigiloDireitos do titular (acesso, correção) e prazos
Ética na guarda e descarteRetenção ligada à finalidade e comunicação de incidente

Quando entra o consentimento

Para atender, o psicólogo não pede consentimento de LGPD — a base é a tutela da saúde (Art. 11, II). O consentimento, específico e registrado, entra no que é opcional:

  • Gravar a sessão (áudio/vídeo) — precisa de consentimento específico e finalidade clara.
  • Usar o caso em supervisão, ensino ou publicação — anonimizado ou com autorização expressa.
  • Enviar conteúdo/marketing — consentimento próprio, separado do atendimento.
ℹ️

Psicoterapia online: a sessão sai da sala e passa por plataformas de vídeo, mensagens e prontuário na nuvem. Cada uma é um ponto a proteger. Prefira ferramentas com criptografia, verifique onde os dados ficam (idealmente no Brasil), não trate conteúdo de sessão por canais abertos e nunca grave sem consentimento específico.

Checklist mínimo de LGPD para o psicólogo

  • Mapa de dados: o que você coleta (cadastro, prontuário, financeiro) e onde guarda.
  • Acesso restrito ao prontuário — só você (e a equipe estritamente necessária).
  • Consentimento específico para gravação, uso de caso e marketing, com prova.
  • Plataforma segura para atendimento online (criptografia, dados no Brasil).
  • Canal para o paciente exercer direitos (acesso, correção) em até 15 dias.
  • Guarda e descarte do prontuário conforme o prazo do CFP.

Perguntas frequentes

O prontuário psicológico é dado sensível?

Sim. Registra dados de saúde mental — categoria sensível (Art. 11). Isso implica acesso restrito, guarda segura pelo prazo do CFP e base na tutela da saúde.

A LGPD substitui o sigilo profissional?

Não, somam. O sigilo obriga a guardar segredo; a LGPD acrescenta segurança demonstrável, mapa de dados, base legal e direitos do titular.

Preciso de consentimento para atender?

Não. O atendimento se apoia na tutela da saúde (Art. 11, II). Consentimento é para o opcional: gravar sessão, usar o caso, marketing — sempre específico e registrado.

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